Guerra Mundial Z
Com Guerra Mundial Z, o norte-americano Max Brooks, faz uma
paródia dos guias de sobrevivência convencionais e expõe a paranoia
coletiva que tomou conta do mundo, em especial dos Estados Unidos, na
era Bush. No livro, que dá continuidade ao bem-sucedido "O Guia de
Sobrevivência aos Zumbis", o autor adota um tom científico nas pretensas
entrevistas que conduziu com os sobreviventes do ataque que quase
extinguiu a humanidade.
O narrador de Brooks é um integrante
da comissão da ONU encarregado de elaborar o relatório sobre o
assustador conflito que quase aniquilou o planeta. Da identificação do
paciente zero, contaminado nas ruínas de Dachang, na China, até Mary Jô
Miller, a arquiteta de elite que pode pagar para se proteger, passando
pelo depoimento de um soldado da infantaria que lutou no conflito, nada
escapa à verve do autor.
Irônico, Brooks destaca ainda o
quanto os homens são ingênuos em achar que podem se defender de pragas e
criaturas alienígenas. Governos corruptos e com interesses eleitoreiros
podem destruir qualquer Departamento de Defesa, ou conduzi-lo para o
front errado. O autor mostra ainda como as sociedades desmoronaram e
foram forçadas a se reorganizar após o colapso das instituições que as
mantinham, levando as pessoas a atos extremos de heroísmo e altruísmo,
bem como de egoísmo e mesquinhez.
Além de recorrer ao
fantástico para traçar um painel das reações humanas diante de crises e
tragédias inexplicáveis, Brooks tece comentários ácidos sobre temas
diversos como o autoritarismo na China e na União Soviética; a
falsificação de relatórios de inteligência por parte do governo dos
Estados Unidos para justificar a invasão ao Iraque em 2003; o impacto
social e ambiental de grandes empreendimentos como a represa de Três
Gargantas, na China; a opressão imposta por regimes fundamentalistas,
como o talibã no Afeganistão e o tráfico internacional de órgãos,
envolvendo países como o Brasil.
